Querido Amor Futuro

     Be the Scenery

Aikawa Ke via Compfight

      Querido Amor Futuro,

    Não sei quem és, nem onde estás, mas sei que existes em algum lugar. Hoje, na véspera de S. Valentim, dedico-te este contorno da minha expectativa, esperando que, de algum modo, a minha abertura ao desconhecido possa atrair-te e tocar-te o coração. 

     A nossa paixão, a princípio, levar-nos-á na crista viva da sua onda envolvente e sem qualquer esforço nos julgaremos um do outro para sempre.

    Depois começará a tarefa interminável de transformar essa força num amor encarnado na nossa própria história.

     Podemos lançar mão de todos os recursos, mas creio que na base estará sempre o sentido da solidão intransponível de onde brota a graça e a surpresa de seres tu para mim e eu para ti.

    Essa dimensão é secreta e cresce para o infinito, mas pode e deve ser alimentada com a essencial contribuição do coração ardente que se aproxima de nós no voto de se demorar por toda a vida.

     É a forma do “sim” que configura o nosso horizonte partilhado: por isso, ele permanece aberto e em permanente movimento para mais longe.

OE

O Menino Que Não Conseguia Sonhar

Imagem: Alda Facebook

    Mais uma antiga e muito querida aluna do nosso Colégio vem partilhar com todos nós a beleza  de uma mensagem que traz consigo uma força de transformação.

     Sofia Ferreira da Costa anuncia o lançamento de um livro diferente, dedicado ao público mais pequenino e, por isso, também, o mais sensível: se, por um lado, precisa da nossa proteção dedicada, também está totalmente  aberto  a uma esperança mais generosa.  

     Saudamos, com imensa alegria, este triunfo nascente, gerado no encontro do amor inteligente pela infância com  a invenção viva que lhe transmite a liberdade.

OE

Ágeis mas Perigosas

Last Image Of The Day.

John T Howard via Compfight     

     Dedicado a Madalena C e sua convidada Francisca

     Ágeis mas perigosas: são como corças saltando na pradaria, mas não alcançáveis por uma chita.

     Férteis, nas suas iniciativas que não se podem imitar, povoam o seu domínio com momentos agradáveis, totalmente abertos, mas onde quase ninguém ousa entrar.

     São ágeis para desencadear surpresas, mas perigosas para quem as tente dominar.

     Galopam incansáveis, pelo puro prazer do movimento, não por perseguirem qualquer fim obscuro: encontram na amizade o sentido que lhes basta para a celebrarem assim na correria livre da Alegria.

     Preferem o terreno macio, bem calcado, mas pode ser inédito, nunca antes palmilhado, pois fazem do desconhecido o seu oásis.  Elas também descansam, por vezes, quando as noites baixam sob o peso das estrelas e lhes parece que basta estender um braço para colhê-las. Então ficam a pairar no imenso azul cintilante e deixam que do coração lhes brotem os segredos que mais ninguém suspeita.

     Perigosas na maneira como defendem a sua própria verdade: qualquer pessoa que se aproxime terá de enfrentar-se com a espada do seu olhar límpido.

 

Exercício inspirado no livro “Eu Quero ser Escritor” de Elsa Serra e Margarida Fonseca Santos

OE

Na Oitava de Natal

   Christian Christmas Nativity Scene

Creative Commons License John Dillon via Compfight

     Chegou.

     Silencioso crepitar da alegria que faz saltar faíscas minúsculas e rápidas na expectativa em oração.

    Já o veludo da noite cintila, já a espessura onde os passos se afogam se torna mais firme: abriu-se um caminho escondido entre as águas.

     Que promessa faz erguer assim a haste do coração e o põe a sonhar mais alto do que alcançam as seguranças mortais?

     Que desígnio secreto abre ao meio as nossas certezas cerradas? O aparo afiado da Esperança já inscreve na alma outras fronteiras de Paz.

    E as palavras antigas brilham, agora, como se um risco de fogo as percorresse e enchem toda a abóbada do coração.

     Quem apressou assim o passo das sentinelas que tiritavam de frio nas guaritas? E clandestinamente convocou os povos, sem passar pelas ordens dos reis?

      Eis outro arco-íris, outro pacto. E um silêncio sagrado torrencialmente derruba a inteligência do seu corcel alado: pelos infinitos atalhos abertos no oceano do tempo, a multidão dos pobres já se escapa ao tumulto inútil dos mundos.

     Vão na esperança do Rei que abriu as vias impossíveis, é só a pura esperança d’Ele que os atrai, o vermelho vivo em que se vão transformando os corações de pedra: tingida de amor, a morte expressa nos seus olhos a força da Incarnação.

    “O Verbo se fez carne” – tal é o encontro com o Rei.

OE

Natal: o Imprevisível

Journey

Robert Hruzek via Compfight

      Natal: abre-se de novo, por entre o tapete coberto de folhas de Outono, o caminho secreto para Belém; por ele entramos no espírito de inaudito recomeço que teima em espreitar pelas fendas das ruínas.

    Imprevisível, a onda do Natal dobra para si os objetivos do mundo: mesmo no despiste das compras e das vendas brilha uma atenção diferente ao facto de haver alguém; uma evidência tão simples, que de repente se torna surpreendente e nos envolve como uma canção.

     Natal: descemos, passo a passo para a pequenez de Belém, até ao abrigo mínimo da Gruta. Entre músicas, pressentimentos e um reinventado espanto, seguimos o vulto que se  apoia no cajado, ao ritmo balançado do burrinho que transporta, clandestino, todo o Tesouro dos Céus.

OE

Suavidades

     Dawn Robin

Creative Commons License postman.pete via Compfight

       Dedicado a Madalena C

     Suavidades são as brisas deste outono que chegaram do verão e teimam em ficar, de volta das árvores, como se houvesse ninhos para embalar.

     Suavidades são os olhos dos pequeninos que vêm espreitar o trabalho da Oficina com uma interrogação a dançar em forma de rebuçado.

     Suavidades são o ouro das tardes enfeitadas de folhas que hesitam em cair, enquanto demoram o olhar na distância, onde parece acenar alguém.

     Suavidades são o início e a meta de um ano carregado de sonhos como uma vinha madura, a travessia das etapas, com paragens para cada surpresa que se desenha nas margens.

     Suavidades são a torre de um sino que canta por cima da nossa saudade, a testar  se ainda somos capazes de ver o invisível e esperar contra toda a esperança.

    Suavidades são as presenças dos amigos, a escrita ágil das suas partilhas rendilhando a nossa vida de alegrias que nunca teríamos inventado sozinhos.

     Suavidade és tu, jovem companheira no trilho silencioso de haver mundo e de o construirmos com palavras cheias de invenção, trocando entre nós este sorriso.

OE 

Exercíco do livro “Quero Ser Escritor” de Margarida Fonseca Santos e Elsa Serra (a partir de um tema dado, escrever sem parar durante 10m)

Advento, uma Expectativa

Creative Commons License Urban Explorer Hamburg via Compfight

    Como se pode modular o dom subtil da expectativa, neste Advento?

    Pelo silêncio, primeiro, cessando o rumorejar dos pensamentos, o vaivém das rotinas em casa…

    O silêncio leva tudo mais longe sem nós, e depois vem-nos buscar; quando chegamos lá, tudo foi transformado: a substância das coisas é, então, o próprio mistério de serem.

    Pela quietude, em seguida: um não-agir que é  próprio das guaritas abrigadas do vento, mas com ampla visão se encostarmos a testa às seteiras. Na harmonia da ordem, deixar cair o que não é essencial e cumprir o dever doce de sentar-se.

    Alerta, nas asas de uma outra música, sair da monótona desatenção de si para uma vigília inovadora; inclinar-se para os fins últimos sem tentar nomeá-los, sem intrusão: atender a um convite.

     Pela escrita, finalmente, que dá a mão ao pensamento para tirá-lo de casa, para roubá-lo ao vício do excessivo serviço da terra; a escrita tateia a textura do tempo, é perita em movimentar-se na noite, em cercar o inenarrável, em trazer para a realidade quotidiana a boa nova dos seus limites abertos.

     Pela união com os outros, para lá de tudo: a família e os amigos, a Comunidade CAD, as vítimas da violência, as multidões que fogem da guerra, os humildes do nosso contexto. Esta união é oferecida a todos: uma das possibilidades do Amor em que tantas vezes não reparamos.

OE

Sob o Signo da Inovação

       Sparrow & Plums

Lilac and Honey via Compfight

     Na primeira reunião alargada a todos os professores, em que se anunciaram as essenciais linhas de força que vão determinar o rumo dinâmico do ano letivo, destacou-se a partilha das boas práticas – que deverá pontuar o ano em reuniões trimestrais e culminar numa espécie de “Convenção”anual, em Julho, a fim de consagrar as iniciativas que se tiverem revelado com maior poder transformador.

     Sob o signo da Inovação, sobressaiu ainda a generalização dos trabalhos de projeto a todos os ciclos. Assim será viável o cruzamento dos diferentes conteúdos do currículo, a sua ligação viva com o mundo real bem como a devolução aos alunos do protagonismo que lhes compete no seu processo de aprendizagem.

     Ambas as orientações têm por base o desafio de implementar um modo de agir plenamente colaborativo, formando-se laços vivos entre as diferentes equipas de estudantes, de educadores e mistas. Assim, as boas práticas se multiplicarão nas partilhas e a juvenil inspiração dos alunos pode vir inaugurar  experiências criativas de trabalho conjunto.

     É com renovada expectativa que aguardamos a manifestação das belezas germinantes deste novo ano letivo.

 OE

Marciano, um Amigo na Guiné


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     Imagem: Oficina de Escrita

     A Associação dos Leigos Missionários da Consolata, AD Gentes, é uma ONG, instituída em 2008, com a vocação de enviar leigos voluntários em Missão, para países em desenvolvimento, bem como para implementar ações sociais, a nível local, com mais incidência na zona de Lisboa, sendo de salientar a última iniciativa, a Loja Solidária online,  ArteGentes

     Neste contexto, tem-se desenvolvido, desde há vários anos, o Projeto Estuda Lá, destinado a financiar bolsas de estudo anuais a alunos de Moçambique, do 8º ao 12º ano. Desde o seu início, este Projeto organizou-se igualmente em torno de um Liceu situado em Empada, na Guiné-Bissau.

    Foi desta pequena povoação, situada em plena floresta exuberante de verdura, que a Oficina de Escrita recebeu já duas cartas de um jovem que vem cumprindo o seu plano de estudos com entusiasmo e dedicação.

    O Marciano, nosso amigo e afilhado, que transitou com mérito para o 10º ano de Escolaridade, relembra, na sua última carta, a importância do “Projeto Estuda Lá” para todos os seus colegas:

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    Na verdade, todos estes alunos dependem, a partir do 8º ano, de uma bolsa de estudos de 50 euros anuais para garantirem o acesso aos materiais de estudo e à frequência do ano letivo.

     Como disse Luís Ventura, voluntário na Amazónia com a sua família ao longo de 4 anos, durante o III Encontro Nacional de Leigos: “a graves problemas só podemos responder com redes comunitárias.” 

     Aqui fica o convite do Marciano a participarmos neste Projeto tão simples e tão eficaz, “em rede comunitária”. E o nosso abraço amigo para ele.

OE

Voando num Papagaio de Papel

Orillia Ontario Canada ~ Leacock Museum ~ Boat House

Onasill ~ Bill Badzo via Compfight

Dedicado a Carolina F

     A Carolina soltava papagaios na praia do Guincho sempre que estava vento; nas tardes de calmaria, o seu papagaio colorido oscilava como um caracol hesitante e ela perdia o entusiasmo por este desporto. 

      Vivia numa casa singular: ficava no meio de um lago, rodeada de água de um azul profundo, por todos os lados. Só podia sair de barco, quando o Pai a levava, na sua lancha rápida que deixava um sulco branco na superfície espelhada das águas.

      Por isso Carolina ficava muitas vezes a vigiar os ventos na sua janela que tinha grades onduladas de ferro forjado e um canteiro de flores azuis. Ela sonhava poder um dia sair sem a ajuda do Pai, voando, suspensa, no seu próprio papagaio de papel.

(texto  construído a partir das palavras atribuídas aos desenhos improvisados com as letras do nome

C – A – R – O – L – I – N – A; segundo o livro “Quero Ser Escritor” de Margarida da Fonseca Santos.

Exercícios Criativos

OE

Jovem Sofia

Spin Painting 32                   Mark Chadwick via Compfight

   Dedicado a Sofia L

Era uma jovem Sofia

Que inventava a sua paz

Muito para lá do céu

Buscava a sabedoria

De um modo que ninguém faz

Mas que lá sabia Deus

Tinha muita paciência

Com o seu horário de estudo

E acumulava ciência

Durante parte do ano

Até desfilar no Entrudo

Vestida de Marciano

Quase chegando o verão

No teatro era uma fada

Que cuidava da floresta

Onde se ouvia a canção:

” – Em férias, não estudes nada

Torna a vida numa festa!”

                                               OE

 

 

 

 

Enfrentando a Trovoada

rainyday

Creative Commons License Pasi Mämmelä via Compfight

     Dedicado a Madalena C, 6A

     A bandeira da vitória esvoaçava ao vento no campo de jogos onde o Tiago tinha acabado de ganhar mais um campeonato.

     Era o fim da tarde, os jogadores festejavam ainda no pequeno estádio juvenil, quando, súbito, um relâmpago incendiou o céu manchado de tons alaranjados e cortou a eletricidade de todos os bairros em volta.

     Madalena nem queria acreditar: agora que ia para a varanda ver desfilar os campeões e aclamar o seu herói, Tiago, aquela tremenda trovoada ia desabar, afugentando toda a gente!

     Um trovão ribombou nas alturas e, tateando no lusco-fusco da sua casa, Madalena acendeu a chama vacilante de uma vela e dirigiu-se para a porta. Cíclope, o seu gato fiel, esgueirou-se imediatamente para guardá-la no arriscado trajeto sob a chuva ingrata.

      Com a roupa encharcada, Madalena protegia a frágil chama sob o guarda-chuva e tremia de frio. Mas todo o esforço valia a pena para ver de novo o Tiago!

(Exercícios Criativos: palavras chave – Bandeira – Vela – Relâmpago – Gato – Cíclope: exercício do livro de Margarida Fonseca Santos “Quero Ser Escritor” )

OE

Corajosa e Divertida

Weekly Photo Challenge #32 - Smile - "The hapiness is in your hands"

Inês Cardoso via Compfight

Dedicado a Carolina F, no seu Aniversário: 

A Carol é uma Menina

Corajosa e atrevida:

Quando era pequenina,

Todos a achavam querida.

Mas agora que cresceu,

E se fez adolescente,

Vejam a volta que deu:

Não lhe agrada toda a gente!

Porém, na Escola, é feliz,

Com Amigos, cheia de Vida…

E há muita gente que diz:

Amorosa e divertida!

OE

O Regresso da Aldeia Secreta

The Hidden Mountain Village

Christian Ortiz via Compfight

Dedicado a Vasco E

     Vasco e Rita tinham chegado há pouco tempo à estação de comboios, mas ela parecia adormecida de cansaço porque havia uma espécie de muralha em forma de pente que lhes tinha sido difícil escalar até chegarem ali.

      Vasco não se importava; junto dela o tempo tinha perdido a pressa; o seu relógio escorregava, flácido, no pulso; ficar a olhá-la era já a eternidade.

     Contudo, estavam ambos perdidos e sabiam-no. A sua viagem na Amazónia resultara numa descoberta fulgurante que, no entanto, não poderiam partilhar com ninguém.

      Uma aldeia – sim, uma aldeia secreta e desconhecida, tanto do largo mundo como das autoridades, como até da comunidade científica: uma aldeia virgem, povoada de nativos que os tinham acolhido fraternalmente e viviam ainda num estado primitivo de felicidade.

     Agora, de volta à Civilização, extenuados pela dureza da jornada, sabiam que mais este segredo os unia, que só com amigos muito especiais o poderiam partilhar e isto tornava Rita ainda mais encantadora e insubstituível para Vasco.

OE

(Exercícios Criativos: escrever sem parar durante 6 minutos a partir de um tema dado pelo colega – do livro de Margarida Fonseca Santos)

Tenho Andado a…

Original Acrylic Abstract Painting on Canvas Panel "S8 XVIII"

Carl Dunn via Compfight

     Tenho andado a desenhar uma flor rara com cores que não existem na paleta. Ela é muito difícil, mas vale a pena gastar tempo a desenhar. O Tempo modela-se nas mãos como barro macio quando fazemos algo de que gostamos muito.

     Não conheço as cores da minha flor incrível, mas vou inventá-las inventando misturas de verde e azul, as minhas cores preferidas. Com elas se dizem a Terra e o Céu, com elas se pensa o divino e se exalta a esperança.

     Eu gosto muito de dedicar tempo à Família e Amigos: com eles sinto-me muito melhor. Viajar é uma das coisas  que queria aproveitar nos meus passatempos, pois gosto de descobrir novas aventuras.

     Tenho andado a desenhar e a fazer vídeos de youtube. No youtube é que me sinto livre a partilhar o que mais gosto para uma multidão invisível que me escuta ou gosto também de ver vídeos de jogos e falar com os amigos, no skype e sem ser no skype, claro! 

    Falar com os amigos é uma arte de escuta e do dom que nasce connosco em semente, e depois, ao contacto dos outros, com o calor do afeto e a luz do pensamento, começa a germinar. É uma das coisas que gosto mais de fazer na minha vida!

     É tão bom ser livre e fazermos o que nos apetece, mas nem sempre isso acontece! Vivemos como um ribeirinho, saltitando entre as pedras redondas, saltitando num leito apertado: somos livres no saltar, mesmo se o caminho nos obriga.

(Texto a duas Mãos: “Quero Ser Escritor“)  Inês M, OE

Tomada pela Mão

Hand in Hand

Creative Commons License Rosa majalis via Compfight

Dedicado a Vasco E, ao seu Futuro

Tomada pela mão

Ela é uma visão

Que me inspira;

Sentia, há muito tempo,

Que me sobrava o alento

Da vida. 

Agora que ela veio

Já tudo o que era feio 

Se transformou:

Tomada pela mão,

O seu olhar recria

Aquilo que antes via

Como um “não”.

Andamos de mão dada

À volta do jardim

E o seu sorriso aberto

Faz-me sentir mais certo

Do seu “Sim”.

Conheço-a e não conheço

Mas sei que não tem preço

Fazer a descoberta

Desta Pessoa amada:

Sei que não deixará 

Seu coração ardente

Que eu possa sossegar. 

Sei que nós sermos gente

Será uma aventura

E uma segurança

Vivida em Oração.

E que ela quererá

Ficar por toda a vida,

Junto ao meu coração:

Na minha confiança,

Tomada pela mão.

OE

(Exercício de escrita criativa de Margarida Fonseca Santos: a partir de um tema dado: “Tomada” escrever sem parar durante 6 minutos.)

Uma Porta

Open up

Creative Commons License Patrik Theander via Compfight

Dedicado a Vasco E

     Uma Porta, abertura suspensa, uma área de nada, um nada limitado que se pode tampar. Porta: uma volta e fechou, outra volta e abriu, um soco e arrombou.

     Mas sem tampa, uma porta é passagem segura, para outra viagem que não se vai prever, porque aberta, ela chama e desperta, para mil caminhadas num mundo a conhecer.

      Porque porta fechada, ela apenas importa, mas aberta é fachada, despida e despojada, que nos serve de entrada num país de ouro e azul.

      Sendo porta, ela é forte e armada, mas se for destrancada, tu sais livre e és levada para outra dimensão, onde o rosto de alguém pode ser a canção ou, ao menos, à frente, podes ver, adiante, que cada vez mais se sente uma aproximação.

     E quem quer que viaja e se arrisca, encoraja todo aquele que fica e o inveja no amor.

OE

(Exercício criativo: dado “um tema” por um colega, escrever sem parar durante cinco minutos, segundo o livro “Quero Ser Escritor” de Margarida Fonseca Santos.)

As Amigas Garrafa

Like Dancers in a Line

Viewminder via Compfight

     As amigas garrafa tinham garra e cuidavam de uma girafa no zoo. Elas tinham crescido juntas e costumavam partilhar, ao lanche, uma garrafa de leite abaunilhado.

    A mais nova tinha o pescoço longo e por isso usava colares grossos ou écharpes coloridas; a do meio tinha cabelos compridos com madeixas de um tom azul esverdeado.

    A mais velha era a menos ajuizada, mas ouvia com atenção  os conselhos das mais novas e assim conseguia levar uma vida tranquila sem se meter em sarilhos. Os seus olhos verde-mar eram os mais sonhadores que jamais se viu.

    A mãe das Amigas Garrafa trabalhava num banco, mas o pai dedicava-se ao fabrico artístico de garrafas de vidro que continham pequenos veleiros dentro, construídos com pequenos fósforos devidamente envernizados e pintados.

    As três irmãs sentiam-se seguras com as qualidades da mãe, que garantia o bom rumo das finanças da casa, mas admiravam sobretudo a perícia e o maravilhamento do pai que tinha coração de navegante e amava a imensidão dos mares longínquos aprisionada misteriosamente no pequeno recinto daquelas garrafas verdes.

Para a Maddy, 6A

(Exercício de escrita criativa de “Eu Quero Ser Escritor” que consiste em escrever durante cinco minutos sem parar sobre um tema dado)

OE

O Ataque dos Zoombies

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Yo Mostro via Compfight

     Era uma vez um Zoombie que atacava as casas de uma rua. Nela vivia uma velhota sozinha com um gato peludo. O seu primo era agente secreto da CIA.

     Um dia, o Zoombie atacou a casa da velhota. O que ele não esperava é que ela era uma antiga campeã de artes marciais. O primo estava a fazer patrulha nessa rua e ouviu gritos aterradores e correu para o local.

    O Zombie queria comer o cérebro da velhota, mas ela estava a defender-se bem, até que o Zombie lhe tirasse a bengala e a prendesse.

     Com a sua bengala de mogno envernizado com um velho veneno do antigo Irão, cada bengalada que ela dava ia retirando poder ao Zombie. Mas agora estava amarrada na banheira com as torneiras a correr.

        O primo arrombou a porta com uma cabeçada e seguiu o gato peludo todo assanhado até à banheira. Só conseguiu entrar pela janela, pois a porta estava trancada a sete chaves.

       Tirou a sua Golden Eagle do bolso e deu um tiro certeiro na cabeça do Zoombie.

       O Zoombie rebentou todo e espalhou a sua sujidade verde pelas paredes da casa de banho.

     A velhota, já quase a morrer sem ar, foi libertada pelo Primo, com o seu canivete suíço que cortou as cortas.

    A CIA atribuiu-lhe um prémio de caçador de Zombies,  um milhão de dólares e o prémio da Paz. O primo e a sua avó foram viver  para uma mansão com toda a Família.

Narrativa “a 3 mãos”:

João P, 5A, Daniel N, 5A e OE

Exercícios Criativos de “Quero Ser Escritor” de Margarida  Fonseca: cada autor escreve uma frase entre 20 a 40 palavras e passa ao colega.

Vivam as Nossas Mães!

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Creative Commons License claudia gabriela marques vieira via Compfight

    Hoje celebramos a maravilha das Mães. Um deslumbramento para o coração dos filhos, um sobressalto sempre inédito de gratidão, uma alegria de nascente que nos irriga a vida e, neste dia em especial, jorra à superfície num infinito “Obrigado” que se exprime de mil formas pelo mundo inteiro.

     Em particular, celebramos as Mães que enchem o nosso Colégio de alunos preciosos, que inspiram os risos e as canções que se entrelaçam nas amizades de Escola, que acolhem e encorajam, sempre de novo, os estudantes de regresso a casa, para coroarem mais uma jornada à sombra do seu cuidado.

   Celebramos as Mães que ajudam a tecer a vida dos filhos no invisível, entrelaçando o amparo das tarefas diárias com a visão de outro horizonte para onde lhes orientam o ímpeto. Assim como participaram no mistério da origem, assim tomam parte na aventura do fim, aparelhando a coragem dos filhos para assumir a travessia da vida na plenitude do máximo sentido.

OE

Glosa a “O Voo de Josefina”

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Creative Commons License George Agasandian via Compfight

   Dedicado a Carolina N

    A Josefina era uma menina de aparência frágil, mas na verdade escondiam-se nela qualidades surpreendentes. Entre elas contavam-se a sua persistência fiel e imbatível perseverança para suportar a vida da Escola.

     Nesse tempo, deve dizer-se que, para Josefina, a vida da Escola não era fácil, exigindo aos alunos permanecerem sentados durante uma média de quatro horas por dia, enquanto lhe parecia que os professores se dedicavam a ensaios de voz e treinavam a caligrafia com pedacinhos de giz num imenso quadro negro pendurado na parede.

     Os alunos também podiam comer a certas horas e movimentar-se à vontade ou dedicar-se  a diferentes jogos a intervalos regulares. Como, de entre todos os estudantes, iam surgindo pequenos grupos de amigos, o convívio cordial compensava as horas de trabalho extra, quase sempre escrito, a que deviam dedicar-se ao fim da tarde, sob pena de incorrerem numa falta de tpc, que tinha para Josefina um significado obscuro.

     Neste quadro de vida, ao mesmo tempo equilibrado e dramático, a nossa Josefina divagava, por vezes, sem rumo preciso, ponderando se seria possuidora de um potencial oculto, algo assim como um “superpoder”, que lhe permitisse viver mais folgadamente as vicissitudes da sua vida de estudante.

     Assim, começou a criar situações em que se punha à prova, na esperança de desencadear um dom desconhecido.

     Começou por pendurar-se no candeeiro da sala e conseguiu ir em voo rasante até à sua própria banheira; em seguida, fingindo pendurar roupa, atirou-se da janela rumo ao jardim do vizinho, mas foi cair de mergulho na piscina. Subiu ainda uma palmeira e voou até ao quarto, pelas janelas abertas.

     Por esta altura já ela desconfiava que, em vez de ter o dom de voar, tinha um notável talento para saltar.

     Conta-se noutra versão desta fantástica história que ela se atirou ainda da varanda, utilizando umas asas de plástico e aterrou a pique no jardim, sobre o “Bola de Ténis”, o seu cão amigo.

   Foi então que os pais de Josefina trataram de inscrevê-la numa Academia de Ginástica, onde podia treinar salto em altura e aceitaram também a sua decisão de, mais tarde, tirar o brevê para pilotar aviões pequeninos.

     Foi assim que Carolina, treinando o seu dom e forjando o seu projeto, passou a estar na Escola com objetivo e método. Suas aulas deixaram de ser úteis apenas aos treinos de caligrafia e aos ensaios de voz dos professores; essas mesmas aulas estavam agora ao serviço do seu sonho e concorriam para que, um dia, ela pudesse mesmo voar.

Inspirado no texto homónimo de Carolina N

OE

Entre Mar e Céu

     Redningsskøyta RS 135 "Kaptein Egil J. Nygård" i grov sjø

Mads Henrik via Compfight

    Dedicado a Carolina, Mafalda e André

      Íamos a bordo de um luxuoso cruzeiro que devia atravessar o Atlântico em cerca de três semanas. Todas as manhãs, estávamos as três, a Meg, a Carol e eu a bronzear no convés, à beira da piscina azul turquesa do navio, esplendidamente servidas por empregados atenciosos que satisfaziam os nossos mínimos desejos com um sorriso encantador.

     O Piloto do navio, um velho amigo do nosso Grupo, Andrew, tinha-se formado em engenharia naval com distinção e fazia a sua primeira travessia oceânica. Por vezes, tínhamos o privilégio de o irmos visitar à cabine de comando e ele explicava-nos entusiasticamente o funcionamento daquela quantidade de radares, alavancas e botões brilhantes.

     Carol e Meg passavam os serões na pista de dança, para gáudio dos músicos a bordo, pois elas eram exímias em hip-hop e dnça-jazz, atraindo à discoteca uma multidão de passageiros.

     Contudo, no início da 2ª semana, o sol forte e a mansidão das ondas que nos vinham embalando começaram lentamente a transformar-se : nuvens encasteladas de um cinza escuro e ameaçador, ondas que refletiam a rapidez dos ventos de noroeste, raspando o convés com suas rendas de espuma e transindo os passageiros com um arrepio de medo e de frio que nada deixava pressagiar de bom.

      Andrew, o nosso amigo querido, não sáia da cabine, branco como a cal, o coração inquieto, contatando desesperadamente por telégrafo todos os barcos em redor: mas nada! Não recebia respostas, parecia que estávamos isolados no meio do Oceano feroz.

      Nessa noite, as vagas alteraram-se: subiram a mais de 15 metros e a proa do navio mergulhava a pique no vazio de cada onda. Foi então que aconteceu o terrível: em plena noite, à luz de um relâmpago incendiário, Andrew viu erguer-se à frente do navio os dentes escarpados de um rochedo vulcânico que emergira do mar há milhares de anos.

     Tínhamos saído da nossa rota e estávamos prestes a chocar com a costa rochosa de uma ilha dos Açores! Que iria acontecer? Carol, Meg e eu abraçámo-nos no camarote escuro, suspensas entre o Mar e o Céu.

Improviso para um tema: “Tempestade”.

OE

“Mergulha, aqui é Fish”

    O “Mergulha, aqui é Fish” foi um projeto fantástico que reuniu uma equipa maravilhosa para o concretizar, por exemplo, eu. Muitas pessoas disseram que estava lindo, o projeto e eu concordo, pois não só cada um deu o seu melhor e todos ficaram enriquecidos com isso, como, ainda por cima, se abriram pistas de descoberta para todos!

    Como diz o Fernando Pessoa, “Deus ao Mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o Céu”. Para mim, esta frase tem muito sentido, porque é também uma definição da nossa própria alma Portuguesa, na sua paixão por navegar sobre o dorso vivo e ondeante do Oceano.

     Assim o Tomás, no seu fato de navegante, era o cicerone das visitas extasiadas que se iniciavam na descida aos labirintos da escuridão; mas não era uma escuridão qualquer, era especial, tinha-se de tentar que as pessoas não saíssem do caminho que lá estava preparado:  assim era o meu trabalho. Foi um dos melhores projetos que já fiz! 

    Mergulha, sim, aprofunda-te nesse sentidofruto de uma iniciativa muito boa: um mundo desconhecido, os mistérios do mar na palma da nossa mão. Mergulha, sim, adentra-te, nesse abismo de azul onde parece que estamos no fundo do mar e é uma sensação deliciosa. Mergulha, sim, orienta-te, na escuridão toda constelada de jóias: tubarões, anémonas, lulas, cavlos-marinhos, algas, peixes de mil feitios irisados de magia em sua própria luz. O ambiente era bom, com uma música de fundo em que nos parecia entrar no mar salgado e ver o fascínio de peixes a brilhar.

    Sim, era lindo: os visitantes em fluxo ininterrupto, qual cardume humano deslumbrado e mudo, seguiam por entre as jóias fosforescentes escutando um poema singelo contra o fundo da ressaca bravia. Silêncio e paz, vibração e tumulto, numa harmonia que retratou fielmente o coração do Oceano. 

    

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Imagem: Oficina Cadescrita

    (Texto a Duas Mãos)

Tomás G e OE

O Voo das Flores de Lavanda

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SantiMB.Photos via Compfight

      Flores de Lavanda numa mesa pousadas eram a testemunha silenciosa de uma primavera diferente, mais brusca nas torrentes do degelo, mais repleta de seiva no desabrochar de lindas flores de Lavanda: a sua cor, simplesmente um leve lilás iluminado pela pouca claridade do luar, naquele serão interminável em que os pássaros migraram, em bandos ondeantes, enchendo o céu de risos estriados no azul lavanda das preciosas, mas simples flores que estavam derrubadas no local do crime.

     Tal flor, tal voo, assim se irmana o sonho e o real: um golpe de asa que atinge o horizonte, um perfume de flor que ficou entranhado nos arquivos do coração. Ser perfume de lavanda e voo de Albatroz, um risco no céu: o horizonte, em baixo o mar,  a vida marítima cheia de diversidade. O cheiro era tão alegre que os investigadores tinham que tirar as flores da cena do crime para se concentrar.

    Partir, atravessar um campo de flores de Lavanda, não ver o outro limite da vida, ser livre, não ter medo dos seus medos pois eses própros são suficientes. Modelar os medos com as ferramentas da Esperança, estreitá-los contra si como flores de Lavanda, porque assim se tornam desafios e tal como um desafio qualquer, a vida tem uma parte lindíssima, a primavera: que é quando os pássaros pequeninos aprendem a voar, acrobacias de ninho para os ramos e a grande novidade do existir estala de repente todas as dimensões do seu esplendor.

     No verão, a flor vira uma deliciosa fruta contemplada pelos animais, o sabor fresco: sabor da aventura que nos espera, fiel, na curva inesperada do próximo acontecer; quando se tropeça com o outro, com o outro dentro de nós próprios, que finalmente se afirma e vai partir, tal como voam as flores de Lavanda, e perfumam de riso o horizonte a trajetória dos pássaros em voo, porque a vida se passa em surpresa, em cuidado e mesmo no sofrimento assumido do Amor!

Texto a duas mãos

Na Despedida do Duarte

Duarte P e OE

As Mil Cadências do Tempo

Original Acrylic Abstract Painting on Canvas Panel "S8 XXXIV"

Carl Dunn via Compfight

     Perder a noção do Tempo é uma espécie de Desporto Aéreo; quando estamos muito focados em alguma coisa perdemos a noção, o tempo torna-se divertido, pois há um tempo mole que escorre devagar e bate nas pedras dos nossos deveres com um ar cansado e tonto.

     Também as brincadeiras às vezes são tontas e pobres, magoamo-nos. Mas mesmo o risco e o perigo fazem parte da aventura. Não podemos estar sempre em segurança.

      Brincar com os amigos é ser livre, correr com o vento a bater-nos na cara. Muitas vezes saímos de casa às duas da manhã e só voltamos ao meio-dia, perdemos a noção até dos perigos da noite.

     Nessas ocasiões, é preciso levar o nosso cão para nos proteger, mesmo que estejamos a fazer explorações numa Quinta, pois algum ladrão pode saltar o muro.

     O que também nos faz perder a noção do Tempo é a Ginástica: é muito divertido e não faz mal. A gravidade desaparece: é como se estivéssemos noutro habitat e o nosso corpo descobre a alegria de brincar com várias pessoas.

      É fixe, perdemos muitas calorias e ficamos com calor. A nossa alma também fica mais leve e mais aconchegada, pois a partilha da Alegria entre amigos derrete as calorias da tristeza e da preguiça e acende os afetos que aquecem o coração.

    Entre o Tempo que se passa a ser livre há o outro: a ouvir os stores a falar mais do que 100 pessoas que não conseguem calar-se. Muitas vezes, estamos em casa e não há sossego para os pais, mas quando estamos fora, há imenso sossego.

    A brincadeira com os amigos faz-nos perder a noção do Tempo, porque, quando brincamos, acendemos uma nascente de alegria, e três horas é como se fossem uns cinco minutos que passaram.

     Quando estamos a brincar os relógios podiam perder os ponteiros, como nos quadros de Salvador Dali, em que os relógios escorregam como ovos estrelados a entornar-se. Ao brincar, o tempo parece ser uma roda gigante.

    Muitas vezes, nós pensamos que todos gostam das brincadeiras, mas nem todos, e alguns até saem ou desistem. Sim, desistem: se brincar tiver muitas regras difíceis, como nos jogos em equipa, há pessoas que não conseguem aplicá-las tão bem e saem para não prejudicar a sua equipa.

     Outros continuam a jogar, mesmo que não saibam, pois o importante não é ganhar, mas jogar unidos.

     Em conclusão:

     O tempo é uma medida para medir que horas são. Muitas vezes nós queremos que ele passe mais depressa e os minutos parecem horas; às vezes queremos que passe mais devagar e as horas parecem segundos.

     O tempo é misteriosamente variável, conforme com quem estamos e conforme aquilo que fazemos: lento, rápido, estreitinho, imenso, parado num charco ou uma onda feliz que enrola os amigos e salta para a Vida Eterna.

     O nosso tempo é muito importante, por isso temos de aproveitá-lo bem. Cada minuto é precioso!

Texto a 3 Mãos

Afonso C, Manel D e OE

(Exercício de “Eu quero ser  escritor” que consiste em, a partir de um tema acordado, cada autor escrever durante um curto período de tempo e passar o caderno a um companheiro e receber o caderno do terceiro, a um sinal dado. Cada autor se reveza para dar o sinal e os cadernos vão circulando entre os três autores.)

O Manuscrito Perdido

   Appenzell, Landesarchiv Appenzell Innerrhoden, E.10.02.01.01, e011

e-codices via Compfight

Dedicado ao Tomás G, 6C

     Os amigos estavam à mesa a saborear um banquete delicioso. Em vésperas de partida para uma aventura tão perigosa, não sabiam sequer se se voltariam a encontrar. Tudo era intenso naquele momento: ergueram os copos num brinde à inquebrantável amizade que os unia.

     Partiram de bicicleta, depois que um pôr do sol alaranjado tingiu o céu imenso com as suas cintilações de luz. Pedalaram com ânimo, enquanto faziam planos rápidos para as próximas etapas que iam exigir toda a sua coragem.

     Pararam um instante em casa da avó do Vasco que tinha preparado os cantis e as mochilas cheios de sumos, sandes de presunto e tabletes de chocolate. As roupas de expedição acabavam de secar, ainda no estendal, mas eles empacotaram tudo rapidamente e, numa despedida á avó com grandes beijos comovidos, atiraram-se á estrada com ânimo renovado.

     Foi já tarde, alta madrugada, que chegaram à floresta onde haviam contatado o misterioso veículo de luz, porventura pilotado por seres de outro mundo, por enquanto invisíveis para eles, mas que lhes tinham prometido um manuscrito precioso, perdido há séculos, sobre as origens do Universo e do tempo em que vários planetas habitados tinham estabelecido alianças entre si.

      (Exercício Criativo do Livro “Quero Ser Escritor” de Margarida Fonseca: Narrativa improvisada em 10 minutos relacionando as palavras atribuídas aos desenhos inventados a partir das letras do nome: Tomás. T –  Amigos à mesaO – Corrida de bicicletaM –   EstendalA –  Veículo de luz S –  Manuscrito perdido).

OE

Segredos do Tempo Azul

YoutubeEscolas Amor de Deus no Maranhão

     O Projeto em que a nossa Escola participa, durante o mês Usera, com todos os centros Amor de Deus no mundo, acompanha o lema do ano “SOS – O Mundo Precisa de Ti”.

     Em relação a este projecto inovador, muito bem pensado, quando for finalizado, esperamos que o Colégio tenha ajudado quem mais precisa.

    A Creche da Cruz de Malta fica na rua da Primavera, em S. Mateus do Maranhão, junto à rua de Nossa Senhora de Fátima, onde vivem as irmãs: Ir. Maria de la Paz, Ir. Conceição Maria  e Ir. Cléa Maria Luz.

    Uma escola pequenina, com mais de cem crianças, em S. Mateus do Maranhão, um Estado no interior do Brasil, onde se combate a pobreza com as armas do amor e da partilha.

     Testemunho da  Irmã Cléa:

     “Fui enviada em missão para o Brasil e concretamente para a comunidade de S.Mateus-MA. Estou com seis meses nestas terras tão lindas de um povo acolhedor e sofredor.

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Imagem: Google Street View

    Sinto-me feliz por estar  em missão na minha própria terra natal e que não deixa de ser um grande desafio. Estou neste momento na  pastoral paroquial ( coro e liturgia), também dou um pouco de apoio na creche “CASA CRUZ DE MALTA”  onde nós, como Irmãs,  ajudamos na educação e no projeto de sopa.”

   Ecos na Imprensa Digital Apoie essa Causa:

 “Visite a creche e constate o brilhante trabalho das Irmãs do Amor de Deus.”

Texto construído por Mafalda A, 6C e OE

A Festa da Comunidade Educativa

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     A nossa Festa anual concluiu-se hoje, ao longo do dia de Sábado, após o esplêndido Sarau de sexta feira – cuja filmagem pode ser seguida no próprio canal do CAD – num clima de contagiante alegria e de intenso convívio.

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Imagem: Artes Cad

    Um dos pontos altos da Festa foi a exposição “Mergulha, aqui é Fixe“,que recriava as profundezas do mar numa atmosfera feérica, sob o efeito de uma luz negra que transfigurava as cores radiantes dos seres marinhos. 

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Imagens:  ArtesCad 

     Um fluxo incessante de visitantes apreciou merecidamente esta joia da criatividade e do trabalho de equipa.     anemona

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Imagens: Artes Cad

     Na Sala de Nossa Senhora, além de um serviço de Bar e Refeições ligeiras, oferecia-se um sofisticado método de tatuagem não apenas inócuo, mas com desenhos requintados.

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     Jovens matemáticas adivinhavam números salteando dados mágicos. Poetas inspirados vendiam a sua récita e ofereciam abraços.

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     Uma cantora adolescente era acompanhada à guitarra enquanto uma Mãe mudava a fralda ao seu bebé.

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     Foi neste espaço que a nossa Biblioteca apresentou uma mini exposição de toda a riqueza imaginativa com que tem vindo a desafiar e a convidar à partilha criativa os seus jovens visitantes do 1º e 2º Ciclos.

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    Entre as várias atividades propostas, foi sem dúvida o enigma matemático “A Torre de Hanói” que mais cativou jovens e adultos.

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A Torre de Hanói – O Sucesso

      Quem poderia plasmar em palavras fiéis a maravilhosa exuberância de vida partilhada que foi hoje a Celebração  da nossa Comunidade?

Docinho da Biblioteca

Imagens: oferecidas á Oficina de Escrita

OE

Aqui Precisam de Nós – Campanha 2016

 

     Este ano, a Festa da Comunidade Educativa volta a reunir o melhor da sua criatividade e entusiasmo para celebrar a comunhão de vida de todos e cada um dos seus membros com uma finalidade solidária comum a todos os centros Amor de Deus e que sempre caracteriza as suas festas.     

     Este ano, é para as crianças do Maranhão, no nosso país irmão, que se voltam os nossos olhares e o nosso abraço amigo!

OE

Acampamento Kikiwaca – A Quinta Inesquecível

 

Praia do Meco

Hans Pohl via Compfight

Dedicado aos Aprendizes da Oficina do 5C e seus Convidados: Alexandre, André, Madalena e Carolina.

     Os quatro amigos foram acampar na Quinta do Miguel, na praia do Meco que é da mãe do André, lá para o Sul do Tejo.

     O André montava as tendas com especial perícia. O Alexandre sabia truques com cordas e fez uma escada para subirem e descerem da árvore.

     As duas amigas inseparáveis prepararam um petisco de salsichas espetadas nuns pauzinhos e tostadas numa fogueirinha improvisada.

     Quando subiu no céu uma lua imensa – pois era Páscoa – os quatros amigos reunidos à volta do fogo escutavam os ruídos da noite: uma coruja branca piava, ouviam-se pequenos seres rastejantes por trás dos arbustos e uma jovem raposa veio espreitar a Carolina, puxando-lhe um bocadinho pelo cabelo.

     Foi então que o André se pôs a tocar no seu miniteclado portátil e toda a floresta pareceu silenciar para escutá-lo.

(Exercícios Criativos: improviso para Projetos de Férias)

O E

As Montanhas da Alegria

Grande Boucle

Raphael Goetter via Compfight

Dedicado a Carolina S-C e Mafalda da Oficina do 6B

     Finalmente, chegamos ao fim do 2º período! Estávamos esfuziantes de alegria, Empurrávamo-nos para entrar nos autocarros especialmente alugados para o nosso passeio ao Aqua show no Algarve!

     A prof. Kate apitava com força para nos organizar e sentar nos lugares. Todos queríamos ir lá para trás e sentados ao pé das janelas. A Mafalda, a Carolina e eu tínhamos levado um jogo ultra leve e rápido que se podia jogar com o autocarro em andamento.

     Chegamos sem demora ao local dos nossos sonhos: não havia longas filas de espera, pudemos logo avançar para as nossas montanhas russas de água, quase a pique, as águas espumando na descida vertiginosa, irisadas pelo brilho do sol.

     Descemos e subimos e voltámos a descer, vezes sem conta, entre gritos, canções e gargalhadas, três amigas à solta na liberdade total dos elementos, água, ar e luz, viagens de paraíso!

    Nestes momentos é que celebramos o trabalho vivido e o esforço despendido ao longo de tantas semanas de aulas: somos a coroação de uma vitória, um desejo em tumulto realizado, somos o voto vivo de mais felicidade e o próprio brinde na Amizade!

OE

Página de um Diário Antigo

     Night well

Jos van Wunnik via Compfight

    Estou há tanto tempo na varanda, a contemplar a beleza deste poente interminável e não me canso. Como poderia cansar-me esta visão  da energia indomável da vida?

     Os sons do anoitecer sobem devagar da cidade longínqua, mas são amortecidos ao atravessar o campo: espessura natural de mil folhagens rumorejantes de vida a coar a estridência das máquinas que corroem a alma da cidade na distância.

     Estou há tanto tempo a lançar raízes no silêncio das vozes daqueles que vivem comigo. Vivem apenas, não convivem. Não batem os seus corações pela mesma aventura, pela mesma sensibilidade ao mistério pungente de existir.

     Desfilam imagens repletas de afeto pela minha mente enfraquecida: a infância dos meninos que cresceram voltados na direção de embora, mas conservei o ramalhete dos seus risos na jarra de água fresca do meu coração.

     E ainda o companheiro, o único, a cuja sombra sobrevivo no êxtase da espera. Porque a sua ausência se tornou fogueira, fogo vivo na alma, mais íntimo a mim do que eu própria, inacessível sentido de cada instante, mas fiel e pleno.

     Ainda ninguém chegou para jantar. Aproveito a demora para absorver a paz que rodopia com a ascensão das primeiras estrelas a pique, no céu.

    Que diferença fará que acabem por chegar? Aproximam-se de mim como de um mundo submerso, de que nem adivinham a profundidade nem a audácia. Não veem para lá da estreiteza do seu horizonte, não suspeitam que o próprio infinito se desenrola a seus pés até perder de vista.

    Quem arriscou a vida e a razão no desafio de amar não estará só jamais. Ladram os cães ao fundo, geme o portão, já vêm.

O. E. 

Natal no Jubileu da Misericórdia

jubileu_misericordiaImagem: Amiens Catholique fr      

     Ó Deus amável dos vivos, Ó Deus imparável, gerador de vida, transmissor de vidas, inventor de uma Vida diferente…

     Em Ti repousa a salvo o passado das ternuras invisíveis que alimenta o coração dos pequeninos. Em Ti as noites das mães debruçadas sobre o berço.  Em Ti a sua alegria pelo nascimento. Em Ti, pulsa, redimido e vivo o mais precioso bem da Terra, que é o carinho entre seres humanos, o seu amor subitamente desarmado e gratuito, o seu estremecer de cuidado uns pelos outros.

     Algo que nos inunda de sentido as veias da existência; que é em nós mais que imagem Tua, é já a longínqua cintilação da semelhança perdida, pela qual nos tornamos o Teu próximo caído no chão do Teu caminho real, prontos a deixar-nos tomar nos Teus braços e a aceitar o bálsamo sobre as profundas feridas; porque reconhecemos na Tua solicitude redentora o indizível amor que dançava sem condições nos olhos da nossa mãe.

O. E.

O que Torna uma Conversa Inesgotável?

     Between the columns JF Sebastian via Compfight

     Falamos todo o dia…falamos tanto…no entanto, por vezes, tapamos o vazio com um fio de palavras como colar de contas que nos ajuda a saltar no carreirinho do tempo, de momento em momento, sem que o coração consiga respirar.

     Às vezes acontece o milagre: o tempo dobra-se e volta, vai e volta, como a naveta de um tear lançado pelas palavras; escava um círculo que se aprofunda e o instante presente parece alargar-se ao infinito.

     O que torna uma conversa inesgotável?

     Foi ela que provocou a alquimia do tempo: o adensou, o curvou, o inclinou para dentro e depois o ampliou sem limites. O coração respira fundo, a inteligência espreguiça-se e lança-se à dança de pensar.

     Alguém está connosco e nós próprios somos, finalmente, alguém para o outro.

     Que dizemos? Que falar é este que faz do tempo um barro em seus dedos de palavras?

     Quem nos tornamos, um para o outro, interlocutores únicos, emergindo cada um para o reconhecimento do outro, como duas questões vivas a aprofundar sem fim?

Conversas na Oficina

OE

Uma Onda de Paz

          A um de Setembro, inaugurou-se o Ano Novo para a Comunidade  docente do    CAD, na Quinta do Castelo, no Cacém.

     Os Missionários da Consolata, também representados nos seus Leigos,  gerem este  espaço imprevisível, em pleno meio urbano, onde se acolhem  carinhosamente diferentes  grupos de todas as idades e se apoiam famílias  vulneráveis.

     Na alegria do reencontro, fomos calorosamente acolhidos neste pequeno oásis – onde  pudemos passear por entre hortas verdejantes, apreciar as crias de avestruz que os pais  protegiam, os porquinhos-da-Índia convivendo com patos e galinhas, a égua Safira que  vinha pedir festas, num envolvimento de árvores frondosas que murmuravam no vento –  tudo isto gerido por uma generosa comunidade de irmãos, num espaço rumorejante de  vida e de paz.

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Imagem oferecida à Oficina pela Paula X

          Inspirando-nos na oração “ O Louvor das Criaturas”, gerou-se um conjunto de partilhas de vida e reflexão entre pares e grupos alargados, depois apresentadas a todos, como pequenas surpresas recíprocas, até celebrarmos festivamente a Eucaristia com o nosso padre Luís.

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Imagem da Quinta do Castelo

     Viver em harmonia com a Natureza, transmitir alegria genuína e a arte de renovar-se interiormente foram alguns dos tópicos que nos inspirou não apenas o poema de S. Francisco mas também o enquadramento humano e natural do nosso encontro.

    A cordialidade com que o Afonso e o Vítor – Leigos da Consolata – iam gerindo os ritmos e os espaços do nosso dia; a disponibilidade dos irmãos que serviram a nossa refeição e os cafés; o entusiasmo do tratador da égua Safira pelo seu trabalho com os animais; o encanto dos netinhos da senhora que cozinhou para nós – vindos com o avô para ajudá-la: outros tantos acordes fraternos da vida em plena sintonia com a beleza natural envolvente e que são a alma da Quinta do Castelo.

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Imagem da Oficina de Escrita

     O Ano Novo acendeu o sentido do nosso encontro e entrou naquele espaço vivo: infiltrou-se por todos os poros do convívio, torrencial e silencioso, encheu o vale da Quinta e ficamos submersos numa onda de Paz.

O.E.

“Alquimias” do Tempo

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Imagem da Oficina de Escrita

     Ao longo do percurso de cada ano escolar, cada estudante aprende a evoluir num quadro de vida que lhe cinge a liberdade, podendo dar a impressão de a espartilhar, tal é a  pluralidade de tempos   a cujos ritmos diferentes deve atender.

    O próprio horário escolar cobre as horas nobres do dia pressupondo, em toda a sua extensão, o compromisso pessoal do aluno.  

     O horário de estudo personalizado deve integrar as atividades favoritas – desportivas, artísticas ou lúdicas – a fim de libertar finalmente o tempo livre para o imprescindível trabalho pessoal que é  o corpo a corpo do próprio estudante com a inumerável variedade de assuntos transmitidos durante as aulas.

    A médio prazo, deve ainda estruturar o percurso de cada trimestre mediante um calendário de testes, balizando as etapas preparatórias que implantam novos territórios de trabalho nos dias previstos para revisão e treino.

    Todo este mapeamento do tempo cronológico é traçado em função de atividades invisíveis, cuja encarnação na realidade do vivido não é equiparável à realização de tarefas automatizadas. Estas, precisamente por permanecerem exteriores a nós,  não superam a imediatez do fluxo sucessivo dos momentos.  

     É o próprio ato de compromisso pessoal que introduz a possibilidade de uma mediação: por ele, o jogo das faculdades – imaginação, inteligência e memória – põe-se em movimento.  

    A atividade das faculdades opera no invisível a sua “alquimia” do tempo: transmuta-se a qualidade de perpétuo fluxo de instantes numa duração concentrada. O silêncio livre em que se compreende e memoriza gera vida.    

O. E.

Um Segredo do Ano que Vem

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Imagem da Oficina de Escrita

     Somos feitos daqueles que amamos e de nada mais.

Christian Bobin

     O novo Ano Letivo ainda está em formação, na espessura nutritiva que lhe advém da expectativa positiva dos estudantes e da solicitude motivada dos que se antecipam a preparar-lhe um espaço humanizante.

    Mas esse futuro misterioso que mal se adivinhava, já se fez próximo, e nele, o ano infante já toma vulto;  os professores já  receberam a primeira chamada: a carta de motivação, o calendário da primeira quinzena de Setembro e o programa festivo do primeiro dia de convívio na Quinta do Castelo.

    O reencontro dos docentes começa por uma festa; assim como o dos estudantes, duas semanas depois: festas-convívio, familiares, ao sabor do improviso, que se repetem ao final, numa girândola de despedidas. Coroa o ano letivo a Festa da Comunidade, já elaborada, fruto de longo esforço comum, entrelaçada com objetivos de solidariedade.

     Será uma coincidência se estes dois pólos que balizam o ano letivo bem como o ponto alto que o celebra se expressam em Festas? Ou elas pretendem simbolizar algo de muito discreto mas essencial, algo  que constituiria o núcleo ardente e inadvertido do ano letivo?

       Como se o longo percurso ascendente do esforço escolar, atravessado de combates com suas vitórias e dificuldades, fosse todo ele sustentado passo a passo pela presença discreta de uma alegria inexplicável, que para além do desejado e merecido sucesso de cada um, vive da  comunhão entre todos.

    Assim, o coração secreto dos dias letivos, poderia ser a presença oculta deste  júbilo, “mais íntimo a nós que nós próprios” e que interiormente “leveda toda a massa” do trabalho quotidiano.

O.E.

Onde Germinam Questões?

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“Noite Estrelada” de Van Gohg –  Pintura de Ana Clara R Gentileza da Autora

  “É preciso ajudar a razão a recuperar as terras de onde se retirou.”

Rémi Brague

      A Escola em si, como entidade abstrata, e tal como está concebida, pretende contribuir, em favor de cada aluno, para  a emergência da sua individuação : uma vontade pessoal autodeterminada, um pensamento próprio que discerniu e fez seus os valores essenciais deveriam emergir, após o esforçado avanço ao  longo do trajeto balizado de saberes que é o Ensino Obrigatório.

      O estudo de assuntos maioritariamente técnicos, abordados numa perspetiva de rigor científico não é ele próprio apenas técnico, nem redutível a uma objetividade pura.

     Tomar consciência do modo como aprendemos pode tornar-nos sensíveis ao facto de que a inteligência pode ter outro alcance para além daquele a que o conhecimento racional e a ordenação da experiência sensível obrigam.

     A reflexão sobre a experiência interior – que as  exigências do estudo criam –  desvenda, porventura, outros âmbitos  do exercício da inteligência onde as questões de fundo, as questões que perguntam pelo sentido encontram a amplidão de que precisam para se articularem.

     A reflexão escrita capta as linhas de força do vivido e nisto   sempre foi uma poderosa ferramenta de libertação.

      Mas ela é mais do que isso: permite construir positivamente a partir de uma esperança comum a todos, que diz respeito a todos e que tende a ultrapassar-se para além de tudo.

     As questões que perguntam pelo sentido último do nosso estudar, do nosso ser em comum, do nosso estar aqui, são perguntas vivas, que cada nova geração coloca de novo, de raiz, com todo o seu ser.

    À Escola compete contribuir, também, para que, num meio vital adequado, possam germinar os ingredientes daquilo que é mais profundamente humano.

O.E.

“Diários de Aprendizagem”, Joias do Tempo de Escola

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Imagem da Oficina de Escrita

“Refletir é escutar mais alto”

Jean Rostand

      Ao longo do seu itinerário escolar, os nossos estudantes    estão continuamente imersos num meio vital de aprendizagem. São igualmente convidados a participar ativamente na sua própria formação  pela apropriação dos meios que  permitem gerir e modelar o processo da sua  aprendizagem.

     Nos “Diários de Aprendizagem”, tal como os propõe a professora Sheila Cameron,  captura-se  a reflexão pessoal sobre experiências relevantes para o estudo.

     Assim, por exemplo, um estudante pode “tomar o pulso” do seu desempenho relativamente a   uma sequência de aulas, a um trabalho de grupo ou a um método de estudo, aplicando-lhes este breve questionário de reflexão transcrito do  MBA Hand Book (1): 

  1.  Como correu?
  2. O que senti em relação a esta experiência?
  3. O que aprendi com ela?
  4. O que não consegui aprender?
  5. O que poderia ter tornado esta aprendizagem mais eficiente?
  6. O que vou fazer de diferente, no futuro, para aprender melhor?

     Praticar regularmente esta abordagem crítica abre uma  distância objetiva entre nós e o nosso trabalho, que deixa à vista o modo como ele decorre, permitindo corrigi-lo ou melhorá-lo.

    É ainda graças ao distanciamento que as perguntas operam, que se abre  um espaço livre onde podem tomar forma ideias sugestivas e até aí insuspeitadas. 

O. E.

(1) Este livro excelente está atualmente oferecido em livre download, em pdf.

“Diário de Recortes”, Pérola das Férias

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Imagem da Oficina de Escrita

     Alguns alunos têm vindo a construir, ao longo das férias, os seus “Diários de Recortes”, colecionando pequenas recordações significativas de episódios favoritos que estão a viver.

     Num caderno ou bloco, a intervalos regulares, colam imagens recortadas, fotografias, pedaços de papel, acompanhados de desenhos e breves comentários pessoais sobre locais que apreciaram ou momentos vividos que lhes merecem um registo criativo.  

     Assim os nossos jovens autores prestam uma homenagem singela a momentos especiais de felicidade, envolvendo-se na aventura exclusivamente humana de fazer emergir sentido novo.

     O caráter precioso daquilo que foi vivenciado positivamente emerge na consciência com outra intensidade.

     A natureza única e irrepetível do que aconteceu, ao transmutar-se no cadinho das palavras, fica protegida da sucessão irreparável dos momentos em que o vivido continuamente se desvanece.

     A possibilidade de recordar e de partilhar, assim instaurada pela forma em que a escrita plasma a vida, amplia o horizonte da consciência, torna sensível o mistério do próprio existir e contribui para gerar uma atitude habitual de gratidão.

O.E.

Inquérito Apreciativo: “de Bem a Melhor”

maos_mini5A     O Inquérito Apreciativo constitui uma abordagem de questionamento, aplicável          numa grande diversidade de contextos, que não modela a inteligência para a resolução  de problemas, mas antes a orienta para considerar o que funciona bem, o que decorre  positivamente, o que se torna gratificante.

     Pode ajudar-nos a discernir, num processo de aprendizagem, numa vivência pessoal  ou de grupo, ou numa experiência mais objetiva, quais são os pontos fortes, como  desenvolvê-los na situação presente, como transpô-los para situações futuras.

     Cada estudante é portador de um universo de vivências pessoais e de conhecimento  experimental do mundo que permanece submerso enquanto não for solicitado. O teor  das questões que os ajudamos a formular para decifrar esse mundo imanente é determinante para o processo em que  novos sentidos podem emergir. 

     A intuição prolixa, confusa, matéria-prima de vida em estado puro, ainda não  articulada, pode encontrar a sua estrutura interna, mediante o lançamento de  perguntas adequadas, outras tantas sondas lançadas no abismo do vivido, para o  transpor a salvo, à superfície, na expressão cristalina de uma escrita pessoal.

    E assim como, na ciência contemporânea, se reconhece que   o instrumento de observação modifica o objeto observado, assim o facto de utilizarmos perguntas  poderosas, que visam o lastro positivo do vivido e nos focam nos aspetos motivadores das nossas  experiências vai ajudar-nos a gerar uma atitude confiante face ao futuro, a conceber a realidade de  forma generosa, onde o gume dos desafios se torna estimulante e  inspira gratidão.

 (Imagem da Oficina de Escrita) O.E.

Os Líderes de Hoje

YouthDay_2Imagem: World Youth Day ELYX

Os jovens devem ser considerados como os condutores da mudança e não apenas como seus beneficiários ou alvos.

Irina Bokova, Diretora Geral da Unesco   

     Hoje é o Dia Internacional da Juventude. Esta iniciativa das Nações Unidas foi tomada em Dezembro de 1999 e apresenta como um objetivo fundamental envolver os jovens numa colaboração ativa e inovadora na resolução das grandes questões do nosso tempo.
      Assim, celebramos os nossos jovens mais especialmente num dia do ano, e em cada ano sob uma perspetiva diferente: para 2015, o tema que orienta e informa a celebração é Juventude e Compromisso Cívico”.
      O objetivo específico para este ano é implementar a colaboração dos jovens na tomada de decisões relativas à vida pública, podendo expressar-se nas mais diversas ações, tal como, por exemplo, o Projeto Net-Med.
      Para celebrar este dia foi também lançado um inquérito – agora resumido no Twitter,e em que participaram 5000 jovens, myworld2015Q , onde é configurado um futuro que responde às novas questões e assume as abordagens emergentes para o compromisso social e político dos jovens em diferentes partes do mundo.
     Eis alguns excertos da mensagem dirigida aos jovens, hoje, pelo Secretário Geral da ONU Banki-Moon e o seu Enviado para a Juventude, Ahmad Alhendawi:
      “Os jovens podem transformar o futuro. Não são apenas os líderes de amanhã, são já os líderes de hoje. Eles inspiram-me: têm a força, a criatividade e a coragem de lutar por aquilo em que acreditam. […]
      Continuo a dizer aos líderes: escutem os jovens. Somos a primeira geração que pode pôr fim à pobreza e a última que pode corrigir os piores impactos das alterações climáticas. […]
     Jovens, precisamos de vós para termos sucesso. Conto com todos, para erguerem a voz, tomarem iniciativas e fazerem a diferença.”

O.E.

“…Mais Dilatados Horizontes”

Beach in Kenosha w/ Hot Sunrise

Carl Vizzone via Compfight

Os Céus acima de mim são tão vastos como os Céus dentro de mim.

 Etty Hillesum

     Quando o esforço reflexivo incide sobre a própria vivência não  pretende  favorecer o enclausuramento  de um “eu” voltado sobre si próprio nem o estreitamento do poder de alcance da sua ação no mundo.

     Pelo contrário, esta indagação crítica que sonda a imediatez do vivido  visa libertar uma interioridade  mais genuína, que permanece inacessível sob o vaivém dos afazeres mecanizados e a natureza meramente funcional de contactos que mal afloram o humano.

   O discernimento pessoal que se exerce sobre o nosso agir e pensar opera precisamente um descentramento do “eu” de superfície, uma renovação do seu poder relacional, uma ampliação do horizonte que transcende o arco do quotidiano.

   Celebrámos ontem a memória de Edith Stein, filósofa judia e mística cristã, que iniciou gerações de alunas na arte rigorosa da reflexão; da serenidade da sua escrita luminosa hauriu a força de auto-doação com que assumiu a sua morte em Auschwitz.

    Ela própria encontrou os caminhos do cristianismo a partir da leitura da autobiografia de Teresa de Ávila,  doutora da Igreja, que, para além de traçar um mapa inédito da interioridade humana, palmilhou a Espanha no aventuroso empreendimento das suas 17 fundações.

O. E.

Para uma Sementeira de Perguntas

estudoImagem da Oficina de Escrita     

«A palavra é mais real e mais durável que o mundo material na sua totalidade.»

J. Ratzinguer

     Para além de alguns nomes já citados, toda uma constelação de autores nos encoraja a prosseguir neste treino de uma incipiente reflexão: insistindo em retomar instruções preliminares, aplicando conselhos experimentados, acabamos por dar uma forma pessoal às perguntas que nos levam a refletir mais do que  a descrever ou a relatar.

     Esta paciência em  exercício ao longo do tempo acaba por compensar:

  • podemos então, dilucidando fios de pensamento que trazíamos emaranhados, ponderar  as nossas perspetivas sobre a vida;
  • articulando intuições quase impercetíveis, podemos descobrir não só o que realmente queremos como ainda os modos de alcançá-lo;
  • podemos assim configurar novos projetos de vida, subdivididos em pequenas etapas, que os tornam exequíveis e nos livram da ansiedade.

       Estas nossas perguntas abrem sobre um manancial só em aparência indisponível; são uma espécie de “chave” para o “lado desconhecido” do real. Podem tornar-se, para os nossos jovens estudantes, numa via de acesso à inesgotável riqueza que os habita; neste caso, “ter acesso” significa “tornar-se mais livre”, o que sempre se resolve em “estar ao serviço de…”

O.E.

Praticar Escritas Diferentes

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Imagem da Oficina de Escrita

“Escrever e desenhar são idênticos, no fundo.”

Paul Klee

     No próximo ano letivo, a Oficina de Escrita vai voltar a colaborar com o Projeto dos Diários Gráficos, que surgiu há quatro anos, com professores incansáveis de Educação Visual. Trata-se também de incentivar os alunos a praticarem uma escrita de expressão mais pessoal em simultâneo com a sua prática do desenho à vista ou da pintura. O Projeto oferece-nos, assim, uma oportunidade singular de podermos diversificar finalidades, estilos e suportes de escrita. 

     Alguns estudantes poderão sentir-se encorajados a usar o seu Diário Gráfico também como um caderno intimista; outros vão preferir utilizar, em anexo, um pequeno bloco para a captação rápida de ideias imponderáveis, rede de borboletas para a inspiração volátil; talvez ainda um caderno subalterno para um longo e regular desabafo catártico, onde se executa a “limpeza doméstica cognitiva”- trabalho que pode parecer entediante, mas incontornável para se abrirem dimensões inéditas no espaço familiar – como numa tela de Vieira da Silva – a fim de permitir o acesso a camadas mais profundas.

      E depois, também, porque não enriquecer o Diário Gráfico, recorrendo ao “tear” dos questionários de reflexão – onde o segredo reside em entretecermos as respostas na trama das perguntas que nós próprios criamos; aí se pode saudar o vivido, assinalar a presença de toalhas subterrâneas de sentido que nos trabalham no invisível; surpreender o inesgotável manancial da realidade emergindo para a sua expressão, numa escrita que é, antes de mais, aplicação apaixonada desses outros sentidos à manifestação da totalidade em ínfimo fragmento.

     E certamente, alguns estudantes optarão ainda por manter vivo um caderno, tão secreto quanto predileto, para falar com quem se ama e que connosco responde e se corresponde na linguagem mais excessiva, e por isso adequada e recomendável para arriscar-se a dizer o inexcedível que a inflama.

O.E.

“Escrever Objetivos com Clareza”

As pessoas que têm objetivos escritos com clareza realizam muito mais e num período de tempo mais curto do que  podem imaginar as pessoas que os não têm..

recado_5A_miniBrian Tracy

     O objetivo, aqui, é transmitir precisamente isto: que os nossos  jovens estudantes possam configurar os seus objetivos com  clareza, descobrindo, ao mesmo tempo, o extraordinário poder  libertador de energias para os realizar que se exerce ao escrevê-  los.

     Só por experiência se pode verificar que o hábito de escrever  esclarece, desagrega barreiras, abre novas possibilidades, faz  brilhar, à nossa frente, as pistas frescas do sentido; escrever  sonda o futuro, é um “ascultador de Deus”.

     O que pode induzir os nossos estudantes a escrever?

     As perguntas abertas: uma pergunta bem medida, bem pesada, com a dose certa de referência ao real e de adesão à multiplicidade dos possíveis tem o poder de dinamitar a crosta superficial do autoconhecimento e do senso comum geral por onde filtramos passivamente a nossa experiência única do mundo. 

    As perguntas-alvo que permitem modelar os nossos objetivos penetram na massa turbilhonante dos encontros felizes e dos deveres de escola, não para dominar o vivido, mas para desenvolver os dons que em nós germinam e para melhor servir as necessidades dos que nos foram entregues por amor. 

O. E.

Imagem da Oficina 

À Procura de Perguntas

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     Michèle Martin, no seu blog The Bamboo Project, partilha  múltiplas formas de    desenvolver uma prática de escrita reflexiva, publicando pequenos pacotes de    perguntas selecionadas para ir ao encontro de diferentes objetivos no âmbito do  desenvolvimento profissional.

     Escolhemos este pequeno punhado de questões, que podem orientar este treino de  escrita tanto dos nossos estudantes como nosso:

1. Como me sinto? Porquê?  

2. A que perguntas gostaria de responder? (3 a 5)  

3. Três projetos em curso de realização, neste momento. 

4. O que estou a aprender em cada um deles?

5. Em que posso melhorar?

    A primeira pergunta, que pode sempre introduzir qualquer outro questionário, parece, à primeira vista, um pouco estranha aos contextos a questionar.

    Contudo, o seu poder revela-se quando nos dispomos a responder-lhe sem reserva ou preconceito.

    Com efeito, ela permite-nos restabelecer uma conexão interior mais profunda connosco; alerta-nos para a presença de emoções não assumidas que entravam a nossa disponibilidade para o trabalho em curso;  centrando-nos no momento presente, contribui para nos unificar; finalmente, liberta-nos para a interação com uma realidade mais ampla, mais rica de possibilidades.

O.E.

Refletir Escrevendo

treino_para_exameImagem da Oficina 

 Escrever é explorar. Começamos do nada e vamos aprendendo à medida que avançamos.

E. L. Doctorow

      Sentimos necessidade de nos “re-situarmos” no óbvio da existência quando as pistas do sentido se multiplicam e a vida oferece uma paisagem prolífica, atravessada de movimentos contrários, de correntes lentas e rápidas, de caminhos que se entrecruzam.

    Pela  reflexão enfrentamos a riqueza viva deste emaranhado  colocando-nos a nós próprios questões adequadas.

    Interessam sobretudo aquelas perguntas que desencadeiam respostas silenciadoras, isto é, que induzem o silêncio; aquelas que nos permitem recentrar sobre o essencial; aquelas que nos dão a sensação de podermos avançar para o centro  de um assunto candente;  aquelas que facilitam a descoberta das causas de adiarmos compromissos difíceis ou que envolvem risco pessoal; aquelas, mais práticas, que nos permitem redesenhar uma hierarquia de prioridades entre as tarefas.

    O exercício da escrita reflexiva é um instrumento poderoso nestas situações comuns da vida. Apesar de  tão conhecidas, elas exigem um discernimento que a escrita  torna mais operante;   apesar de tão simples, elas escondem possibilidades surpreendentes que  só o paciente tatear da escrita pode iluminar.

O.E.

Para Refletir…

scarborough harbour,october 2008

Creative Commons License bertknot via Compfight

“Não se aprende com a experiência, mas sim com a reflexão sobre a experiência.”

John Dewey

     A autora Sheila Cameron, no seu livro “The MBA handbook”, afirma que o efetivo exercício da reflexão é considerado, hoje em dia, como absolutamente crucial para o desenvolvimento profissional.

    No seu livro, que se dirige a estudantes do Ensino Superior, a autora mostra como a reflexão fortalece a aprendizagem e porque se torna tão importante “desenvolver o hábito permanente de refletir”.

   Inspiramo-nos na nossa autora, para quem “uma boa lista de perguntas constitui a principal ferramenta de reflexão”, tentando traçar o perfil de uma “boa pergunta”, seja para nós, seja para os nossos estudantes:  

1. Como formular questões inspiradoras ou sugestivas,  incisivas  ou com mordente sobre uma dada situação?

 2. Como adaptar tais ferramentas de reflexão à idade dos alunos que frequentam a Oficina?

O.E.

Finalidades da Escrita na Oficina

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Imagem: da Oficina de Escrita

     Sem pretender esgotar assunto tão sugestivo, poder-se-iam elencar assim algumas das finalidades das atividades de  escrita que se vão realizando aqui na Oficina :

1. Treinar para as Provas Nacionais de 6º ano, onde a redação de texto vale 30% da classificação total.

2. Realizar a escrita de expressão pessoal segundo os objetivos do Programa de 2º Ciclo.

3. Contribuir para a construção da personalidade em crescimento dos nossos alunos, mediante a possibilidade de livre expressão, a objetivação de uma interioridade que se estrutura ao ser interpretada com a própria razão e o próprio sentimento.

4. Dar a voz, como quem dá a vez, permitir ao aluno tomar a palavra, sendo assim mais ativo e colaborante no processo da sua própria formação, segundo os Objetivos da Escola.

5. Projetar também a própria Escola, na publicação desta girândola de textos, mescla de reflexões incipientes e expressão de emoções vivas, em amostragem variegada daquilo que constitui também a riqueza e a força da Escola, para além do nosso trabalho comum e da nossa comunhão de vida : o mundo único e singular de cada um.

6. Verificar a ideia de que, colocar por escrito os nossos próprios objetivos de vida e as estratégias em curso de aperfeiçoamento para atingi-los potencia as possibilidades da sua realização, engendra uma nova força de autocompromisso  que, ao ser publicado, é ainda intensificado pelo testemunho da comunidade leitora.

7. Por fim, é a própria comunhão de pessoas que formam a Escola a receber uma tonalidade diferente, pela incorporação destas vozes da vida, entretecidas na escrita, que lhe acrescentam um travo  consistente, caloroso e indelével.

O. E.