Ser +: “Cena Literária”


Imagem: CAD – Cena Literária 

     Os queridos colegas  Carla, Paula e Paulo estão entre os muitos que aceitam o perturbador desafio da Beleza, através do seu ensino de diferentes Artes no nosso Colégio, cada um deles através da sua específica e especial paixão.

      Estes colegas contribuem intensamente, com o seu dom singular para a fisionomia única da nossa Escola e, mais ainda, vão tecendo a própria alma secreta desta, ao colocar os seus talentos ao serviço dos nossos alunos. 

    É assim que ajudam os seus jovens companheiros a descobrir por sua vez, quais os seus talentos escondidos e encorajam-nos a expor-se com as suas personalidades únicas, a fim de dar os seu melhor tanto às suas próprias jovens vidas como à comunidade escolar. 

     Mas para além disto, eles desafiam os nossos alunos a irem mais longe, a fim de alargar até o horizonte inteiro da sua geração. Na medida em que oferecem gratuitamente o melhor de si próprios, os nossos jovens acrescentam significado e força á perene demanda da humanidade. 

    Como este artigo ficaria demasiado longo, desta vez foi escolhida a Poesia no CAD:

CENA LITERÁRIA

Imagem: Teacher Carla playing Conspiração no Palácio

    Assim, a Prof. Carla – que ensina Português e Literatura – é também uma atriz, numa Companhia de Teatro –  provisoriamente suspensa – onde desempenha variados papéis em drama e comédia, ou performances de rua no Teatro de Sintra.

   Com uma singular paixão por poesia, criou, no Colégio, um evento mensal, cada um para celebrar um diferente poeta: os poemas escolhidos são ditos ou lidos por alunos voluntários, na Biblioteca, aberta a uma audiência de todas as idades.

    Poetas Portugueses, como António GedeãoMário de Sá CarneiroFlorBela EspancaFernando PessoaAfonso Cruz, Almeida Garret, José Saramago,Sophia de Mello BreynerWalter Hugo Mãe, tornam-se presenças vivas na nossa biblioteca, graças às jovens vozes e aos corajosos corações dos nossos Alunos.

OE

 

A Esperança é Viva


Imagem: Loui_piquee

     Dedicado ao nosso querido colega Bento

     A Esperança não é tangível – entre a água, a terra e o ar -; não repousa sobre provas, eleva-se por si mesma, abre o seu próprio espaço inovador entre os outros elementos conhecidos. 

     A Esperança não é outro elemento a acrescentar para resolver a equação da vida – mas transforma a posição de cada um e a relação entre todos. A Esperança é uma respiração interior que se ativa a si mesma em caso de perigo extremo. Aparelha o coração humano para atravessar naufrágios, mesmo impercetíveis aos nossos sistemas de socorro. 

     A Esperança é viva, não pode ser provocada nem fabricada por meios humanos. Permanece indisponível, mas é familiar e próxima quando eclode, súbita, como uma flor intempestiva, nunca antes vista, uma chama no mais íntimo. 

    A Esperança é  sempre para todos, primeiro, e só então ganha raiz em cada um. Mas ela vem de mais longe, de antes do horizonte humano, de antes de o mundo ser. E nessa glória, sem consumir-se, arde.

OE

Estrelas de Milevane

 Excertos da Carta da nossa Prof Catarina Santos em Junho de 2017

      Família Amor de Deus,

    Contam-se os dias em que o Santo António guiar-me-á para o aconchego do vosso saudoso abraço, mas não queria sair de Milevane sem antes voltar a partilhar com vocês alguns dos momentos que aqui vivi e senti.

Imagem: Escola de Milevane

     Hoje aprecio o céu como um pintor sente a sua arte. De astronomia pouco percebo, por isso admiro e contemplo esta pintura estelar como se de uma obra de arte se tratasse. Preenche o coração! Imaginem-vos a pegar num pincel grande com tinta branca e a rodopiá-lo sobre um manto negro. Agora imaginem todos a pincelarem o céu em simultâneo!

      As estrelas parecem tão próximas que iluminam o caminho até casa esta noite.

     Os meus olhos já se habituaram à escuridão, alguns sons já não me são estranhos e as pessoas já sabem que existo. Hoje vou aproveitar a oportunidade que as nuvens me deram, de ter a luz das estrelas, enquanto caminho para casa. Atenta aos perigos mas em paz.

[…]

     Esta tarde escrevo-vos à luz das velas. Houve um corte de corrente – a chuva intensa que persiste em durar não deixa passar os raios solares e, por isso, a energia não chega até nós. Quando os painéis solares não funcionam liga-se o gerador mas sem gasolina também não dura muito tempo. Já passaram dois dias em que as baterias estão descarregadas. Talvez amanhã haja um raio de sol que queira permanecer. 

    As noites estão tão frias que me fazem lembrar a minha terra – Sintra. Nestas últimas duas semanas, o chá quente e o cobertor são meus amigos e as camisolas de alças são os inimigos que prendi no guarda-roupa!

    Milevane fica nas montanhas da Zambézia!

Imagem: Campo de Milevane

    Acredito que a simplicidade da palavra obrigada, quando dita do fundo do coração, traduz a importância que esta viagem foi para mim, por todo o que envolveu – sacrifícios, ajudas inesperadas, partilhas…uma verdadeira missão partilhada!

      Às comunidades de Milevane e de Cascais – simplesmente obrigada!

Beijinhos para todos.

Até breve.

Catarina 

(Prof. Catarina S)